segunda-feira, 25 de agosto de 2003

Músicas embalam sonhos adolescentes, aos trinta.
Corpos pedintes de amor
aos vinte, trinta, quarenta
Carinhos momentâneos
Preces instantâneas
Noite.
Gotas de suor diluídas
em pó, pose, paranóia
Rapazes viram ogros
Garotas se engolem
Descontrole
Juras que se quebram
Olhos que se apagam
Clarisse, triste, comove
Alta madrugada
Alegria soando falsa
Perfume falso misturado com Marlboro
Boca amarga
Batidas repetidas, contínuas
Sinos em todas as cabeças
Pedidos de socorro
nas mãos, na cara, na lata
Casa cheia, corpos vazios
Viajantes sem bagagem
na noite em que a lua
é somente um esquecimento
prateado no céu.


Fernanda Salvo

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