quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

::Entre suspiros e lágrimas::

Hoje, me policiando no caminho do escritório para casa:

"não Letícia, vc não vai chegar reclamando do seu chefe. vc sequer vai tocar no nome dele. vc vai chegar em casa, ligar a TV e assistir a novela que vc nunca viu. e ainda vai se emocionar com os casais apaixonados. sair do seu inferno diário e entrar para o maravilhoso mundo colorido e encantado da rede globo de televisão"

A tática funcionou tanto que depois da novela mergulhei em meus discos e livros de amor. E agora aqui estou. Suspirando e com vontade de chorar. E com saudades de mim mesma quando sonhava e amava mais.
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Então, Hilda Hilst:

I

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de tua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

II

Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida avidez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora

Há tanto tempo sua própria tessitura.

Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória, se tu me repensas.
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Ai.

3 comentários:

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