segunda-feira, 6 de março de 2006

:: Todo carnaval tem seu fim ::

Tem gente que fala que o ano começa no dia do nosso aniversário.
Outros acreditam na "virada" tradicional do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro.
E há aqueles que, como eu, começam o ano depois do carnaval.


Depois de um longo e tenebroso verão, batizo aqui então o primeiro dia do ano.
Amém.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

::Hoje eu quero apenas uma pausa de mil compassos::

Para Ver as Meninas (Paulinho da Viola)

Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim
Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Para ver as meninas
E nada mais nos braços
Só este amor
assim descontraído
Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito
Deliberei sofrer. No auge de meus 25 anos.
E não sofro por amor, e sim pela falta dele.
Sofro ao lembrar da menina do blog cor de rosa que habitava aqui antes dessa mulher p&b tomar seu lugar.
Sofro pela falta de sonhos, de planos.
Sofro ao me flagrar fazendo ou dizendo coisas que a menina cor de rosa não faria ou diria.
Penso que virei pedra.
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(mas pedra não chora)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

::Entre suspiros e lágrimas::

Hoje, me policiando no caminho do escritório para casa:

"não Letícia, vc não vai chegar reclamando do seu chefe. vc sequer vai tocar no nome dele. vc vai chegar em casa, ligar a TV e assistir a novela que vc nunca viu. e ainda vai se emocionar com os casais apaixonados. sair do seu inferno diário e entrar para o maravilhoso mundo colorido e encantado da rede globo de televisão"

A tática funcionou tanto que depois da novela mergulhei em meus discos e livros de amor. E agora aqui estou. Suspirando e com vontade de chorar. E com saudades de mim mesma quando sonhava e amava mais.
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Então, Hilda Hilst:

I

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de tua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

II

Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida avidez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora

Há tanto tempo sua própria tessitura.

Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória, se tu me repensas.
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Ai.
:: Silêncio ::

E a gente vai se amando em silêncio.
Em cada palavra não trocada
Em cada gesto contido
Em cada vontade não vivida.

É. A gente vai se amando.