quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

::Hoje eu quero apenas uma pausa de mil compassos::

Para Ver as Meninas (Paulinho da Viola)

Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim
Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Para ver as meninas
E nada mais nos braços
Só este amor
assim descontraído
Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito
Deliberei sofrer. No auge de meus 25 anos.
E não sofro por amor, e sim pela falta dele.
Sofro ao lembrar da menina do blog cor de rosa que habitava aqui antes dessa mulher p&b tomar seu lugar.
Sofro pela falta de sonhos, de planos.
Sofro ao me flagrar fazendo ou dizendo coisas que a menina cor de rosa não faria ou diria.
Penso que virei pedra.
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(mas pedra não chora)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

::Entre suspiros e lágrimas::

Hoje, me policiando no caminho do escritório para casa:

"não Letícia, vc não vai chegar reclamando do seu chefe. vc sequer vai tocar no nome dele. vc vai chegar em casa, ligar a TV e assistir a novela que vc nunca viu. e ainda vai se emocionar com os casais apaixonados. sair do seu inferno diário e entrar para o maravilhoso mundo colorido e encantado da rede globo de televisão"

A tática funcionou tanto que depois da novela mergulhei em meus discos e livros de amor. E agora aqui estou. Suspirando e com vontade de chorar. E com saudades de mim mesma quando sonhava e amava mais.
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Então, Hilda Hilst:

I

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de tua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

II

Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida avidez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora

Há tanto tempo sua própria tessitura.

Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória, se tu me repensas.
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Ai.
:: Silêncio ::

E a gente vai se amando em silêncio.
Em cada palavra não trocada
Em cada gesto contido
Em cada vontade não vivida.

É. A gente vai se amando.

domingo, 18 de dezembro de 2005

::E lá se vai::

E de repente ela percebe que o ano está acabando. E repassa seus quase 365 dias num segundo pela cabeça. Relê seus posts desta mesma época do ano passado, lembra do pior ano da sua vida. E constata que seus objetivos (heim?) para esse ano não foram alcançados. Mais uma vez. Continua no mesmo emprego, ganhando o mesmo salário (porém com mais atrasos e descontos), continua sem namorado e já esqueceu o que é estar apaixonada. A falta de tempo para os amigos e para si mesma continua. Continua empurrando a vida com a barriga. Sem planos. Precisa dizer mais alguma coisa?
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Tá, em 2006 vou ficar mais bonita, mais culta e mais feliz.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

::Palavras emprestadas::

Recentemente Lulu me apresentou the future of rock´n roll e desde então não escuto outra coisa. No trabalho, em casa, full time. Eis que agora, por volta de 1h da manhã de sexta, sou surpreendida por uma música TUDO de uma banda chamada "Instiga". Então, já que não estou escrevendo nada de bom ultimamente, deixo que escrevam por mim (tem gente que tem a manha de escrever pelos outros, né?).

Aí vai:

Instiga - Retas
by Instiga/heitor Pellegrina/christian Camilo


Retas Paralelas -
Um ponto..uma linha uma reta paralela
ao seu traço colorido o infinito
quero te encontrar nesse universo
tão grande e tão pequenino
eu não te alcanço
só obrigado a caminhar em linha reta
esse caminho invisível infinito
não deixa de ser colorido
nesse universo tão grande e tão pequenino

Quero sair dessa reta invisível
Paralela a você..vou lhe seguindo
Quero sair dessa reta invisível
Paralela a você..vou lhe seguindo..
procurando uma curva pra lhe encontrar.

Nesta reta ando sempre ao seu lado atrelado
sou separado de você pela parede
que é infinita invisível meio verde
e eu posso lhe observar
no espelho...um reflexo burro transparente
existe amor em minha mente
eu estou no paralelo quando quero te encontrar

Quero sair dessa reta invisível
Paralela a você..vou lhe seguindo
quero sair dessa reta invisível
paralela a você..vou lhe seguindo...
procurando uma curva lhe encontrar.

domingo, 11 de dezembro de 2005

::Porque ele é gênio::

EM FACE DOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS
(Carlos Drummond de Andrade)

Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos)
Por que seremos mais castos
que nosso avô portuquês?

Oh! Sejamos navegantes,
bandeirantes e guerreiros,
sejamos tudo que quiserem,
sobretudo pornográficos.

A tarde pode ser triste
e as mulheres podem doer
como dói um soco no olho
(pornográficos, pornográficos).

Teus amigos estão sorrindo
de tua última resolução.
Pensavam que o suicídio
fosse a última resolução.
Não compreendem, coitados,
que o melhor é ser pornográfico.

Propõe isso a teu vizinho,
ao condutor de teu bonde,
a todas as criaturas
que são inúteis e existem,
propõe ao homem de óculos
e à mulher da trouxa de roupa.
Dize a todos: Meus irmãos,
não quereis ser pronográficos?

sábado, 10 de dezembro de 2005

::Short Cuts::

Vem cá, chega mais perto.
Me deixa entrar na sua vida?
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Me dá sua mão aqui.
::Re-post::
(pq esse vale a pena)

Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta cousa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.
Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.

Fernando Pessoa