domingo, 23 de abril de 2006

::Vermelho-preto-branco::

Pintei a parede do quarto de vermelho.
Minhas "caixas de guardados" são vermelhas.
A lixeira também.
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Mas meu coração teima em ser branco. Às vezes preto.
E eu o guardo no armário.
::Carente/contemporânea::

Num desses fins-de-semana-camisolão em que o Canal Brasil e os 5 Tele Cines (sim, eu assisto até o Tele Cine Pipoca!) bombam na minha TV, assisti um filme que tinha uma personagem insuportável. Os nomes, tanto do filme como da personagem, me fogem agora, mas vou tentar definir seu perfil: era uma jovem recém saída do segundo-grau que se depara com as incertezas da vida e lida com isso de uma forma muito "caprichosa", como se todos a sua volta tivessem que compreendê-la e assim acaba ferindo os sentimentos de alguns. (Ó mundo cruel... por mera coincidência (?) acabei de me lembrar o nome do filme: Mundo Cão)

Bom, farei aqui uma confissão: não raro me comparo com essa tal personagem e me odeio por isso. Tipo quando quero encontrar os amigos e todos me dispensam porque já têm outros programas dominicais. Minha vontade é de fazer uma mega chantagem emocional, mas aí me lembro o quão insuportável são as tais chantagens e desisto a tempo. (ou não...)
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Deve ser só um breve ataque mulherzinha/carente/contemporânea agravado pelas recentes rejeições. Já já passa. =/

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tento tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.


[Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão. Hilda Hilst]

domingo, 16 de abril de 2006

::Novo::

Sim, mudei o template do blog. Enjoei do outro. Não que tenha enjoado do p&b ou da Valentina, mas acho que agora estou numa fase mais "caixa de guardados".

Esse blog já passou do cor-de-rosa para o amarelo, depois ficou meio incolor até chegar no p&b. Agora inauguro a nova fase que tem cara de velho. Cheiro de poeira. Cartas guardadas embaixo do colchão. Segredos antigos.
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Mas espero que ele mude de cor antes que as traças o descubram.
::Ao Glauber!::

Ontem num encontro hippie/contemporâneo com uns amigos, em companhia da famigerada cerveja, cigarros e discos de vinil, concluímos que o cúmulo da "hippisse" é fazer um brinde ao Glauber.
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Acabei de chorar assistindo um documentário sobre o cineasta no Canal Brasil.
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Hippie?
::À beira do abismo::

Fica o dito pelo não dito
na infinita angústia das entrelinhas

Esse abismo que nos separa
em silêncio
::Trauma de infância::

Sou a caçula de uma família de três filhos, isso quer dizer que há mais ou menos 15 anos não trocamos ovos de páscoa na família. Minha mãe sempre achou que ovo de páscoa era coisa de se dar às crianças e chocolate nunca foi muito bem vindo entre nós. Ela sempre nos ensinou a não comer "bobagens" e enchia o nosso prato de folhas e verduras esquisitas. De modo que a páscoa, para nós ainda crianças, era um evento: a única época do ano em que podíamos nos deleitar com o famoso "fruto proibido" sem culpa.

Acho que todo esse cuidado de mamãe acabou nos fazendo perder o gosto pelo tão amado chocolate e recentemente descobri um novo pânico em minha vida: ovos de páscoa.

Nessa época do ano, os supermercados são invadidos por corredores claustrofóbicos com ovos de todos os tamanhos, cores e tipos. E só esse ano fui pega de surpresa pelo menos três vezes. Caminhando desavisada a procura do setor de CDs, ou cosméticos, fui engolida de repente pelos corredores de ovos de páscoa. Descobri que eles me assustam e a sensação de andar por baixo daqueles túneis não me é nada agradável.

Parece que tem alguém me lembrando: "A páscoa está chegando, já comprou seus ovos?"
E para mim soa como um grito fantasmagórico ou coisa parecida.