quarta-feira, 19 de abril de 2006

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tento tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.


[Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão. Hilda Hilst]

7 comentários:

Anônimo disse...

Olá, Letícia, gostei da poesia. Abraço.

Zecao disse...

Lets, por acaso vc já postou este mesmo poema no blog ??

Anônimo disse...

Já sim, viu.. eeheheheh
É clássico!

Letícia disse...

Ei pessoas!
Sim, já postei esse poema, mas Hilda Hilst merece, não?

Anônimo disse...

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