quarta-feira, 12 de maio de 2004

::Procura-se Cathy desesperadamente::

Não me lembro ao certo que idade tinha quando comprei meu primeiro livro. Nem onde comprei. Provavelmente entre 12 e 15 anos, quando descobri que podia ganhar dinheiro vendendo "pulseirinhas artesanais", toscamente confeccionadas por mim, para as coleguinhas do colégio, da rua, do inglês, do ballet. Quando não inventava, entre outras maravilhas, de fazer pirulitos de chocolate para oferecer por míseros trocados para a garotada catarrenta que incomodava os vizinhos correndo e jogando bola na garagem do prédio.
Mas me lembro exatamente qual era o livro. Não era um livro convencional, era um livro de tiras. Me chamou atenção pela capa. Talvez pelo formato nada comum, afinal, eu nunca tinha visto um "livro de tiras". O que eu conhecia até então ou era livro "de textos" ou revistas em quadrinhos. Ou as tiras de jornal. Mas eis que surge em minha frente um livro de tiras. Como se não bastasse, ele ainda era quadrado. Tinhas todos os lados iguais. Nunca tinha visto um livro quadrado. E tinha uma ilustração ótima na capa. Com um bom traço e cores fortes contrastando com o verde pálido do fundo. Era uma menina de cabelos longos e expressão confusa. Ela se chamava Cathy.
Bati o olho naquilo e logo li o título enorme: "Cathy - Mais uma fantástica noite de sábado sozinha em casa."
Era ela. Aquela personagem foi a responsável por meu ingresso no universo feminino através das letras. Cathy era uma mulher solteira e independente cheia de conflitos da vida moderna. Eu era uma adolescente que sonhava em ser escritora e ter meu apartamento por volta dos 20 anos (!). Sonhava em ser independente. Em morar sozinha. E já me identificava com a Cathy.
Cathy virou minha melhor amiga por um bom tempo. Até eu descobrir outros livros, outros autores, novos temas.
Fui me aproximando dos 20 e os sonhos ficando mais longe...
Até que numa busca por novos sonhos (sonhos mais realistas?) me lembrei da Cathy.
E me pego numa "fantástica noite de sábado sozinha em casa" procurando por ela. E não encontro. Até hoje não encontrei. Procurei em todos os lugares possíveis e impossíveis da casa, depois em lojas, em sebos, internet. Não acho.
Provavelmente dona Luci (grrr) deu para alguma criança pensando se tratar de livro infantil, mas isso é assunto que merece um post exclusivo da série "peripécias de dona Luci".
Acho que Cathy levou todos os meus sonhos de adolescente com ela.
Preciso encontrar Cathy. Preciso muito.

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